O turismo de base comunitária na Floresta Amazônica.

Escrito por Márcia Regina Falcioni Pinesso

Olá pessoal, hoje quero falar um pouquinho com vocês sobre o turismo de base comunitária. Você conhece? Já ouviu falar? Já viveu essa aventura?

Foto: Letícia Lima

Confesso que este tipo de turismo é completamente novo para mim. Desde que resolvi me envolver mais com viagens e viajantes tenho descoberto as inúmeras possibilidades de conhecer o mundo.

Foi conversando com a Letícia que conheci o turismo comunitário na maior região do Brasil, a região Norte. A Letícia Lima Scherk é bióloga, especialista em Educação Ambiental e Desenvolvimento Sustentável, mestre pela UFABC em Ensino da Ciências, e, juntamente com o Instituto Natureza Brasil desenvolve no Estado do Amazonas o turismo de base comunitária.

O turismo de base comunitária possibilita momentos de vivência com o meio ambiente da região, com costumes do povo ribeirinho e de comunidades indígenas, seja na culinária, no artesanato, nos cuidados com a floresta. Para os moradores da região, representa também um incremento na renda das famílias que ali habitam.

No turismo de base, o viajante não conhece apenas os lugares e a cultura do povo ribeirinho e das comunidades indígenas, mas fica submerso no modo de vida da comunidade. As expedições organizadas por Letícia atendem 15 pessoas de cada vez, com roteiro para seis dias. Geralmente os turistas se encontram no aeroporto de Guarulhos-SP, em horários marcados para o voo a Manaus, mas dependendo da região que estão podem combinar outra forma de chegarem a cidade de Manaus. O início da viagem ecológica é de barco pelo Rio Negro até a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS). A ONG Fundação Amazônia Sustentável (FAS) tem papel importante no turismo de base comunitária, atuando na profissionalização dos moradores locais, na área de turismo.

Foto : Letícia Lima

Alguns moradores estruturam sua casas para receberem os hóspedes, outros confeccionam artesanato com matéria-prima da floresta, outros preparam o alimento e servem as refeições. Atividades que geram emprego e renda.

Quantos empregos por trás da atividade fim. Para que o artesanato seja produzido é necessário que ¨alguém¨colete as sementes das seringueiras, as fibras das palmeiras do açai e da bacabá, transformando em lindas peças, como bolsas, porta panelas e porta copos. Os artesãos produzem também jogos americanos, toalhas de mesa, colheres de pau, entre outros tantos produtos que compõem o artesanato da região.

Para servir o alimento ¨alguém¨ precisa pescar o peixe, colher a mandioca, e preparar diferentes tipos de farinhas. E diga-se de passagem, os viajantes participam também do processo de produção da farinha de mandioca.

Foto: Maria Carlo

Outros precisam servir o cardápio elaborado, e que delícia de alimento. Os cardápios são a base de peixe, a região não tem criação de gado. O matrinchã e o pirarucu são peixes abundantes na região, e portanto muito utilizados na culinária. O pirarucu é um dos maiores peixes escamados do mundo, podem pesar 200 quilos e medir até 3 metros de comprimento. O peixe assado no chão compõe o cardápio preparado para os viajantes da expedição. A mandioca e seus derivados, como a tapioca, beiju; a batata doce; o açai e o cupuaçu são grandemente utilizados na culinária do norte do Brasil.

A diversidade da fauna na região também é algo que impressiona. O boto cor-de-rosa, além de ser um animal típico e folclórico da região, é muito dócil e os turistas interagem com eles nas águas quentes do Rio Negro. A parte triste é que esta lindeza está ameaçada de extinção.

O jacaré-tinga, um réptil carnívoro que habita nas águas do Rio Negro, também é uma atração para expedição. É oferecida, aos turistas, uma atividade noturna, onde os pescadores da região atraem o animal com iscas de pescas, para que se aproximem das margens do rio, assim os turistas ficam de 6 a 7 metros de distância do jacaré, e conhecem um pouco mais desta espécie. São lembranças para nunca esquecer. Com certeza esta atividade desperta nas pessoas fortes emoções.

Para os apreciadores da meditação, o pacote inclui uma atividade noturna as margens do Rio Negro. Os viajantes participam ainda de rodas de conversas sobre plantas medicinais, fazem trilha ao redor da fogueira e ouvem lendas locais. Fico imaginando o cenário, a paisagem, as histórias do lugar...

Bom, não é só isto não. Tem também uma vivência de um dia e uma noite numa tribo indígena. Meu Deus, um banho de imersão na cultura dos povos indígenas da Amazônia, seus rituais, sua culinária, suas tradições. Deve ser de tirar o fôlego!

As refeições do dia são preparadas e servidas pelos índios da comunidade. Eles oferecem pratos típicos feitos com a formiga maniwara, com cupim das árvores, e também, com a mandioca. Letícia nos conta que eles preparam uma caldeirada deliciosa com a maniçoba que é uma iguaria produzida com as folhas da mandioca, além de saborosa é muito nutritiva. Mas não precisa se preocupar se o cardápio da região não lhe é muito familiar e se você não é muito ousado para novos sabores, tanto os indígenas como os povos ribeirinhos cozinham os alimentos básicos dos brasileiros como o arroz, macarrão, feijão, saladas e farofas, claro!

Depois de bem alimentados, que tal uma rede de dormir? Não tem preço a experiência de dormir numa rede, numa oca na Amazônia. Longe do mundo agitado, sem barulho de carros ou máquinas das fábricas. Sono tranquilo que só desperta com o nascer do dia, assistindo ao por do sol. Abrir os olhos, despertar, tomar banho nas águas quentes do Rio Negro, isto tudo é, no mínimo, uma vivência diferenciada para muitas pessoas.

Ah, antes que me esqueça, não é por acaso que o nome do rio é Rio Negro. Ele é realmente negro por conta da matéria orgânica da floresta que cai nas águas escurecendo e aumentado o grau de acidez.

Foto: Letícia Lima

Muitas pessoas apoiam o turismo de base comunitária na Amazônia. Entre elas podemos citar a atriz brasileira Cristiane Torloni que lançou recentemente o filme: "Amazônia, o despertar da florestância". Os atores Marcos Palmeira, Victor Fasano e a atriz Lucélia Santos também são bem envolvidos com as questões ambientais. O ator norte-americano Leonardo DiCaprio também apoia ações voltadas a conservação e preservação da floresta e tem contribuído para causas sociais e em defesa do meio ambiente. Em 2009 comprou uma ilha em Belize, na América Central, onde planeja criar um resort ecológico. Uma coisa eles tem em comum, todos estão envolvidos em ações para que a floresta fique em pé.

Precisa de mais informações para turistar nas comunidades da Floresta Amazônica? Entrem em contato pelos endereços:

  • Instagram: Leticia Lima Saberes Naturais @leticialima_bio
  • E-mail: leticialima_bio@yahoo.com.br
  • Whatsapp: (11) 998 996 325

e boa viagem!