Viajar é pra todos? Acessibilidade na hora de viajar

Escrito por Maksuel Boni • 31 de março de 2022

O que muita gente não sabe, inclusive eu não tinha noção, é que viajar para uma pessoa com deficiência (PCD) pode ser um enorme desafio. Felizmente existem empresas que se preocupam em dar acessibilidade a todos. Porém ainda temos muito trabalho pela frente.

No dia a dia não temos noção das dificuldades que pessoas com deficiência passam para se locomover, imagina como seria viajar então?

Graças ao apoio de uma empresa que se preocupa com acessibilidade, nós pudemos realizar uma série falando só sobre esse assunto. Convidamos 3 pessoas com diferentes tipos de deficiência para nos contar as dificuldades, desafios e possíveis soluções na hora de viajar.

Durante o isolamento da pandemia a Manu acabou conhecendo um cego viajante, através da indicação da Maria Fernanda que participou do terceiro episódio desta série.

Começamos então, conversando com o Ari Protázio. Diagnosticado com glaucoma congênito nos dois olhos com apenas três meses de vida, Ari aprendeu a se adaptar desde cedo.

Um homem apaixonado pela vida e que desempenha múltiplas atividades como: pianista, tecladista, cantor, produtor de conteúdo e palestrante. Nos contou, de uma forma muito bem humorada, as dificuldades que ele a sua esposa (não PCD) passam quando viajam.

Ele nos fez abrir, os olhos para coisas que por ignorância não vemos, foi uma aula divertida que com certeza mudou o nosso jeito de se comportar perante um PCD.

Chamamos o episódio de "Invisível aos olhos", pois é a sensação que ficamos após ter conversado com ele, é que essas pessoas estão muitas das vezes invisíveis em uma sociedade que acaba deixando de lado a adaptação do uso público, como meios de transportes e negócios.

Todos nós temos o direito de viajar, conhecer novos lugares. E para que isso aconteça realmente, precisamos sempre aprender que nem tudo é sobre nós, precisamos ouvir de pessoas como o Ari, quais são as reais necessidades e parar de tentar adivinhar. O episódio foi um sucesso e se você ainda não ouviu, logo abaixo você pode ouvir o episódio #111.

Após o tapa na cara que levamos com as coisas que aprendemos, ficamos mais ansiosos para conhecer um pouco mais sobre esse mundo que passa despercebido para nós. A Manu entrou em contato com a Laura Martins, que é escritora, blogger e palestrante. Laura tem uma deficiência motora (paralisia de membros inferiores) como consequência da mielite transversa, uma doença rara que teve aos 5 anos e meio. O seu amor por viagens foi a grande motivação para criar um blog e compartilhar experiências e informações para outras pessoas sob sua mesma condição.

Laura afirma que o aprendizado adquirido com o planejamento e a execução de uma viagem é empoderador, pois desenvolve inúmeras habilidades. Durante o episódio ela inclusive nos contou como se planejou para fazer um intercâmbio sozinha.

Através de sua experiência nos relatou dificuldades que encontra quando viaja e onde se hospeda, coisas simples como, um armário debaixo da pia do banheiro pode criar uma enorme dificuldade para um cadeirante. Nós nem paramos para pensar, mas como ela chegaria perto da torneira se a cadeira não poderia entrar debaixo da pia?

Pois é, esse episódio nos colocou para refletir várias situações que nunca tínhamos refletido, coisas pequenas para uma pessoa que possui total autonomia, podem ser enormes transtornos para uma pessoa com algum tipo de limitação motora.

Dona de uma cadeira voadora, Laura nos emocionou com suas palavras ao final da nossa conversa, seremos sempre gratos por essa oportunidade.

Abaixo você pode ouvir o episódio #112 Cadeira voadora. Laura é, uma viajante determinada e que sabe o que quer.

Era tanta curiosidade que não deu tempo de fazer todas as perguntas, inclusive a Laura até reapareceu no último episódio da série com um relato incrível.

A Manu conheceu a Maria Fernanda em um grupo do Clubhouse que falava de viagens, um dia ela falou sobre sua deficiência e a Manu pensou na hora em chama-la para este projeto.

No papo com a Maria Fernanda nós descobrimos que não precisa ser cadeirante, para que uma escada seja algo inacessível. Fernanda foi diagnosticada ainda durante sua infância com Miopatia congênita do tipo 1, (são distúrbios hereditários raros dos músculos, que causam uma redução no tônus muscular e fraqueza) ela possui dificuldades ao tentar se equilibrar e, por exemplo, uma escada sem corrimão é intransponível.

Nossa convidada nos relatou também que consegue fazer a maior parte das coisas em autonomia, mas que leva mais tempo para caminhar e subir uma escada por exemplo. No inicio de suas viagens ela se recusava a utilizar serviços de suporte para pessoas com necessidades especiais, sejam elas PCD, gestantes ou alguém que esteja engessado por exemplo. Mas com o tempo ela percebeu que essa ajuda é muito útil e uma vez que experimentou os serviços de apoio de um aeroporto, isso facilitou muito a sua vida principalmente quando se fala de conexões com pouco tempo. Ficamos felizes em saber que existem esses tipos de serviços, pois quantas vezes o avião chega e temos que sair correndo para conseguir chegar a tempo não é mesmo? Uma pessoa que não consegue correr com certeza teria maior risco de perder uma conexão neste caso.

Fernanda nos colocou mais uma para pensar sobre como um simples corrimão é útil, como que somos invasivos ao fazer perguntas indiscretas a um PCD e o quanto ainda existe preconceito, principalmente quando uma pessoa com deficiência física procura um emprego e já acaba sento intitulada como incapaz.

Este é o terceiro e último episódio desta série maravilhosa onde o intuito é trazer informação, empatia e evolução para que todos possam viajar e visitar os lugares que tanto sonham.

Abaixo você confere o fechamento dessa mini série sobre Acessibilidade para viajar, episódio #113.

Essa série teve um apoio da empresa Ria Formosa Boat Tours, uma empresa de Portugal, no Algarve que se preocupa com a acessibilidade. Ela foi a pioneira a ter um barco adaptado para cadeirantes, proporcionando passeios e experiências para todos. Além do barco permitir o acesso fácil a pessoas com cadeiras normais ou elétricas, eles também possuem um sistema que possibilita as pessoas transitarem da cadeira para dentro d'água sem esforço e com total segurança.

Mas ela não é exclusivamente para PCD's, qualquer um pode passear e se divertir através dos passeios que ela oferece. E sinceramente? Depois de toda essa conversa, eu me sentiria muito mais feliz de apoiar uma empresa que tem esse tipo de iniciativa, não teria a menor dúvida com qual empresa escolher meu passeio.

Para experienciar a diversidade e beleza do Parque Natural do Algarve, a Ria Formosa Boat Tours possui os melhores passeios de barco na Ria Formosa. Uma equipe profissional está preparada para proporcionar um cruzeiro seguro ao longo da praias e Ilhas.

Fica aqui nosso agradecimento ao nosso apoiador desta série.


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